23 de Maio de 2010
É campeão!
Águia bate Remo e decidirá título com Paysandu
Numa tarde memorável para o esporte marabaense, o Águia de Marabá não tomou conhecimento da centenária equipe do Clube do Remo, e bateu o favorito time remista pelo escore de 2 a 0, garantindo o título de campeão da Taça Estado do Pará, que representa o returno do Parazão. O título inédito desta etapa do torneio garantiu ao Águia, além do direito de disputar a final do Parazão 2010; o título de campeão do interior deste ano, assim como a segunda vaga paraense na Copa do Brasil do próximo ano.
O jogo – Devido a importância da partida, que decidia o segundo turno do Campeonato Paraense de 20010, Águia e Remo começaram o jogo com muita ansiedade, mas aos poucos jogadores das duas equipes se acalmaram e começaram a proporcionar um grande espetáculo.
Mais à vontade em campo, e precisando somente de um empate, a equipe visitante partiu para cima do Águia, que, apoiado por sua torcida, respondeu à altura as investidas remistas e equilibrou o jogo.
Tanto que Samuel Lopes, após uma cobrança de escanteio, dominou a bola no peito e chutou forte de perna direita para abrir o placar e incendiar a torcida no Zinho Oliveira.
O gol deixou o time remista atabalhoado, que abusou de ‘chuveirar’ a bola na área aguiana, porém, o goleiro Inácio estava atento e rebatia todos os cruzamentos.
Somente no final da etapa inicial surgiu uma grande jogada remista, que Inácio defendeu garantindo a vitória parcial do Águia de Marabá.
Para a segunda etapa os times voltaram igual, no entanto, o Águia voltou melhor que o Remo, e Victor Ferraz que fazia excelente partida, invadiu a área remista com a bola dominada, e chutou forte, rasteiro, para vencer Adriano, e fechar o placar do jogo em 2 a 0.
Após o gol Giba tirou lateral e volantes e colocou meia e atacantes, mas não surtiu efeito por que João Galvão mudou seu time, anulando os jogadores remista que acabaram de entrar, caracterizando um verdadeiro nó tático em Giba’.
A equipe visitante ainda tentou pelo menos diminuir o placar, porém, a melhor chance azulina esbarrou na trave do goleiro Inácio, que fechou a meta aguiana na tarde do último domingo.
Público – Contando com apoio maciço de sua torcida que lotou o Zinho Oliveira, cujo público apontado foi de 4.500 pagantes, e mais aproximadamente 600 credenciados, entre policiais, ambulantes, seguranças e profissionais de imprensa, o Águia cresceu em campo. Pela primeira vez foi registrada a execução da ‘ola’ em Marabá, além de vários outros tipos de manifestação de apoio ao time, que correspondeu dentro de campo. O destaque ficou por conta das torcidas organizadas Toam e Fiel da Folha 28.
Estratégia – Para confundir o adversário, João Galvão anunciou uma escalação, com três atacantes, mas, como não é bobo, escalou seu time no tradicional 3-5-2, mantendo praticamente a mesma formação que vinha conquistando as vitórias do returno do Parazão. Com exceção de Analdo, suspenso; e Gustavo, contundido.
Tabu – Depois de ter perdido o jogo de ida da final do segundo turno, pelo escore de 2 a 1, de virada, João Galvão treinou sua equipe para vencer o rival, e não deu outra, diferentemente das outras duas partidas da fase de classificação quando o time abriu o marcador e permitiu o empate do Leão Azul, sendo 3 a 3, no primeiro turno; e 1 a 1 no returno, desta vez a história foi diferente, e finalmente Galvão quebrou um dos tabus que ainda existiam. O de nunca ter ganhado do time remista: ‘Tabu quebrado, título conquistado’.
Segurança – Para garantir a segurança total dos torcedores e todos os envolvidos no jogo, a Polícia Militar enviou ao Zinho Oliveira 10 viaturas, 4 motos e 258 policiais, inclusive do Núcleo de Inteligência da Polícia, que garantiram a normalidade do jogo.
Homenagens – Antes de a bola rolar para a decisão entre Águia e Remo, a diretoria aguiana prestou homenagem a vários desportiats que fizeram história no futebol marabaense. Os homenageados foram: Dedem, Hiroshi Bogéa, Rui Sampaio, Cabeção, Dr. Dega, Nonato Paixão e Darcy.
Taça Paulo Marabá – Por iniciativa de Wilson Paixão, o Lapeta, atual administrador do estádio Zinho Oliveira, a prefeitura de Marabá, através de Maurino Magalhães, ofertou à Federação Paraense de Futebol (FPF), que entregou ao Águia de Marabá, a Taça Paulo Marabá, cujo desportista, antecedeu Lapeta na direção do Zinho Oliveira, e que foi o primeiro grande jogador do futebol marabaense a atuar em clubes grandes da capital e outros estados.
Show de arbitragem – Não é por acaso que Carlos Eugênio Simon apitará mais uma Copa do Mundo em sua carreira, e após apitar o jogo do Águia onde deu verdadeira aula de arbitragem, não tendo mostrado sequer um cartão amarelo, durante a decisão do segundo turno, o árbitro gaúcho segue direto para África do Sul, como um dos representantes da arbitragem brasileira no mundial.
Comemoração – Após a conquista do título, jogadores, comissão técnica, diretoria, patrocinadores, autoridades e torcedores se juntaram para comemorar a importante conquista no gramado do Zinho Oliveira, quando os jogadores fizeram questão de enaltecer a Deus por mais esta batalha vencida. “Essa vitória é do senhor Jesus”, gritava chorando o técnico João Galvão, ajoelhado no gramado, ao trilar do apito de Simon.
“Só Deus poderia nos dar uma conquista dessas”, mencionou o meia Gustavo, que, contundido, não pôde atuar. O jogador que é um dos mais experientes do time, mesmo quando não joga ajuda Galvão, com sua grande visão e leitura de jogo.
Após a vibração no gramado, todos foram para orla Sebastião Miranda, à altura da Colônia Z-30. Durante a comemoração o presidente da equipe aguiana, Ferreirinha, foi abraçado por mais de mil torcedores que fizeram questão de emprestar seu apoio e reconhecimento ao trabalho do cartola azulino.
Que venha o Papão – Ainda está entalada na garganta aguiana, a derrota de 6 a 1, sofrida na quinta rodada do returno para Parazão, para o Paysandu. Para todos do time marabaense a única forma de apagar esta derrota da memória é ganhar o título estadual diante do time bicolor. A primeira partida acontecerá neste domingo (29), às 16 horas, no Zinho Oliveira, enquanto o jogo de volta acontecerá no Mangueirão, uma semana depois.
FICHA TÉCNICA DO JOGO
Águia – Inácio; Charles, Bernardo e Ari; Victor Ferraz, Soares, Daniel, Diego Biro (Cleuber) e Aldivan (Thiago Marabá); Samuel Lopes (Edkléber) e Wando. Técnico – João Galvão.
Remo – Adriano; Levy ( ), San, Raul e Danilo Mendes; Marlon ( ), Didão, Gian ( ) e Vélber; Marciano e Landu. Técnico – Giba.
Árbitro – Carlos Eugênio Simon (FIFA-RS), Assistentes – Altemar Hausmann (FIFA-RS) e Roberto Braatz (FIFA-PR) Regras 3 – Clauber José de Miranda e Joelson Nazareno (FPF-PA). Renda R$ 86.600,00 Público – 4.500 pagantes.